09/09/2014

Stirring Up: Capítulo 1 - Unbroken



"Nesse lugar que não tem nome.
Não consigo lembrar por que vim"
(Hilary Duff - Jericho) 

Minha cabeça estava totalmente confusa. Não sei Deus como, mas ele sabia meu nome.
Sim. Ele sabia meu nome.
E eu juro por tudo que isso estava me deixando muito confusa. Ele tossiu em falso fazendo com que eu voltasse minha atenção para ele.
- Você pode me trazer a conta por favor? - Ele pediu.
Apenas assenti, saindo de lá no mesmo instante. Passei novamente pela pequena portinha barulhenta do estabelecimento - a qual eu não gostava muito -e encontrei Stella escutando uma música qualquer e que se eu não me engano era Last Friday Night da Katy Perry.
- Preciso da conta pro moço da mesa 15. - Disse me apoiando no balcão.
Stella assentiu.
- Ele pegou apenas um refrigerante, não é? - Stella perguntou enquanto escrevia o tanto em um papel.
Assenti. Mordi meus lábios, esticando meu braço e apanhando o pequeno papel amarelo de suas mãos. Passei pela portinha barulhenta novamente indo novamente até a mesa do mesmo. Só que ele não estava mais lá.
- Só falta ele ter ido embora sem pagar a conta. - Resmunguei chegando até sua mesa.
A quantia certa do refrigerante estava em cima da mesma, fazendo com que eu franzisse minha testa. Então me pedir a conta foi um pretexto para ir embora sem dar explicação alguma? Mordi meus lábios com força, dando de ombros e entrando novamente na cozinha. O estabelecimento estava totalmente vazio e o relógio marcavam 00:30hrs avisando que meu expediente havia acabado. Fui até o banheiro, jogando um pouco de água fria em meu rosto e tirando meu uniforme. Sequei meu rosto, dobrando o meu uniforme e saindo do banheiro, colocando o mesmo no balcão ao lado de uma pequena placa que estava escrita "Uniformes". Bufei, enquanto pegava minha bolsa e saia do estabelecimento.

(...)

Girei a chave do meu apartamento, adentrando o mesmo em seguida. Minha mãe estava jogada no sofá e meu pai não estava em casa. No mínimo estava no bar novamente, pois era o que ele fazia de melhor. Cheguei perto da minha mãe pronta para dar um beijo no rosto da mesma, quando escuto ela fungar.
- Mãe?! - Sento no sofá ao seu lado. - Você está bem?
Minha mãe faz que sim com a cabeça. Desconfiada, puxo-a para mais perto de mim.
- Não Savannah! - Minha mãe me dá um tapa e acaba tirando um gemido de dor de mim.
- O que aconteceu caramba? - Digo pegando em meu braço. Havia uma marca muito roxa em seu braço. - Você não vai me dizer que o filha da puta do papai bateu em você de novo?! - Digo me levantando do sofá.
- Está tudo bem Sav! Está tudo bem! Foi a última vez, ok filha? - Minha mãe diz com lágrimas nos olhos.
- Mãe! Não! - Digo chegando mais perto dela. - Você sempre diz a mesma coisa, sempre tenta me fazer acreditar nessa sua história de que foi a última vez! Eu não aguento mais isso! Eu estou esgotada, mamãe. Você nem tem noção. Ate quando você vai deixar com que aquele monstro bata em você? Até quando você vai querer fingir que nossa família é perfeita quando na verdade não é?
Minha mãe abriu a boca para responder mas a porta se abriu. Com ódio, encarei a porta vendo meu pai entrar cambaleando pela casa. Com nojo, apanhei minha bolsa no canto do sofá e sai de lá sem olhar uma única vez pra trás. O elevador estava se abrindo, o que foi uma baita sorte pois tenho certeza que um deles estaria atrás de mim agora. Adentrei o mesmo, apertando o térreo. Não demorou muito até a porta do elevador se abrir novamente e eu sair de dentro do mesmo. Foi uma sensação ótima sentir o vento em meu rosto como se estivesse disposto a levar qualquer problema meu. Agora deveriam ser mais de uma hora da manhã - e sim, eu sei que não é um horário muito adequada para se estar na rua - mas o que acontece é que eu não consigo mais viver na minha casa fingindo ter uma família feliz. A parte mais engraçada é que meu pai só começou a beber depois que perdeu sua filha com outra esposa. E sabe o quê é mais engraçado que isso? Ele sequer dava bola para a menina. Quem sabe bateu um arrependimento de não ter valorizado enquanto ainda tinha aqui na terra, mas quis valorizar depois que morreu. Mas já era tarde. Sempre pensamos que temos muito tempo mas aí o nosso tempo acaba. Queremos modificar algumas coisas e as vezes até chegamos a magoar as pessoas achando que no outro dia vai estar tudo bem. Achando que bom, a vida pode colocar tudo no seu lugar. Mas você nunca sabe quando a vida vai se apressar e querer tirar algo de você. A vida é realmente traiçoeira e ainda vai nos dar muitas rasteiras. Ainda vai querer que a gente crie expectativas sabendo que depois iremos nos magoar. Ela vai querer que tenhamos vários sonhos loucos sabendo que não conseguiremos conquistar nem metade. Na realidade, a vida é apenas uma peça. Quem sabe um daqueles teatros bem falsos que começa fazendo você rir - e criar vários planos e expectativas - e termina fazendo você chorar. A vida nunca vai dar aquilo que você quer. Você nunca vai poder ordenar que quer algo da vida. Ela sempre vai querer que você corra atrás do que você quer, e muitas vezes vai fazer com que você desista. Mas eu não irei desistir do sonho que eu tenho: Fazer meu pai sair do vício do alcoolismo. Eu estava pensando tão longe mas fui interrompida pelo som de passos atrás de mim. Sempre me senti uma garota corajosa, mas nesse momento eu estava realmente morta de medo.
- Ei Savannah, espere. - Ouvi uma voz familiar chamar meu nome.
Parei em frente a uma casa, virando para trás com calma e vendo o garoto da lanchonete.
- Você está me seguindo? - Disse enquanto me aproximava do mesmo afim de dar um murro em sua cara.
- Não. Eu apenas estou aqui para te proteger.
- O quê? - Franzi minha testa. - Você é louco? Me proteger de que?
A porta da casa se abriu fazendo com que minha atenção se voltasse para a mesma.
- Moça, você está perdida? - Um garoto de aparentemente 17 anos perguntou.
- Não, eu estou acompanhada dele... - Disse apontando para a rua mais abaixando o dedo em seguida. Não havia mais nada lá. Nem se quer um sinal da pessoa que me seguia.
- Bom, eu acho que você deve ir pra casa. Já está tarde.
O barulho da porta se fechando foi o quê fez minha ficha cair. Eu não estava sonhando. Sim, ele sumiu da minha frente de uma hora pra outra e sem explicação alguma.

***

Meu twitter: @stuckdles
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